Imigração

Imigração brasileira na Guiana Francesa

Esse reportagem do jornal francofono brasil-infos.com -  Foi realizado por Ferreira Sigobine Vaneza.

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Mostrando que isso nao e com fiçao da novela "Salvo Jorge" que se passa  em Turkis, mas uma trista realidade de nossos pais vizinhos do Brasil com em Guiana Francesa…
 
A Guiana francesa é o único território ultramarino na América Latina que pertence à França, faz fronteira com o Suriname e o Brasil.  Sendo assim, os brasileiros não possuem livre acesso à região, pois não existe nenhum Acordo político que lhes dêem esse direito. Então os nossos compatriotas muitas vezes entregam suas vidas nas mãos dos “passantes de  clandestinos”.
 
A caminhada é muito perigosa, para se chegar na capital do departamento ultramarino – Caiena, nossas conterrranêas devem pegar um barco para travessar o Rio Oiapoque. Saem do Oiapoque e vão para cidade fronteira que representa o início da França – Saint-Georges.
 
Chegando lá, eles pegam um carro não habilitado e muitas vezes traficado/roubado para fazerem a travessia. Neste caso se a polícia PAF (Polícia Aduaneira Francesa) chega a pegá-los é cada por si. Os passantes sãos os primeiros a partirem e deixam os passageiros se virarem para não serem pegos.
Os passageiros que não foram pegos, ficam dentro da floresta até encontarem um outro meio para travessar.
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Alguns relatos chegam até mim quando acontece este tipo de situação.
A segunda opção para os clandestinos brasileiros, é fazer três ou quatro dias de travessia pelo mar. Porém, os clandestinos só podem viajar de noite, e sempre se escondendo da polícia marítima.
 
A pior parte desta opção segundo o que me relatam : O mar, que muitas vezes é perigoso e como eles viajam de noite não tem muita visibilidade, podem colidir com navios ou outros barcos.
 
Essas são as diversas dificuldades que nossos compatriotas enfrentam em busca de melhora social e economica. O perfil dos imigrantes nessa região é principalmente de paraenses, maranhenses e amapaenses – norte e nordeste do Brasil.
São exploradas pelos patrões por não conhecerem muito bem as leis trabalhistas e também por medo de perderem o trabalho. Um grande problema social que encontramos aqui, e isso vale para todas as nacionalidades presentes na Guiana Francesa.
 
No meio dessa imigração marginalizada existe um lado nada glorioso : a prostituição e o tráfico de mulheres brasileiras. Esse é um assunto  bastante delicado e para melhor  ilustrar, deixo aqui dois relatos  de mulheres que passaram por essa fase :
 
A prostituição é uma moeda de troca ainda muito comum nesse lado do atlântico.
Falta muita prevenção para a comunidade brasileira. Deveriamos conscientizar nossos compatriotas sobre os perigos que podem encontrar por aqui. Não deveriam se deixar explorar dessa forma. O governo brasileiro deve fazer algo por essas pessoas. O nome do Brasil nessa região é sinômino de pobreza e atraso. O preconceito é grande contra a comunidade. Não vitimizar, mas ainda temos que melhorar muito a nossa imagem.
 
 
Tem duas testemunhos a seguir por explicar como tudo se passa em Guiana Francesa…

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• Paula, 28 anos, paraense.
 
Paula, vem de uma cidadezinha do Pará. Família muito humilde e sem condições para criar os filhos, sua mãe envia-lhe para Macapá para trabalhar em casa de família.
 
Fica durante 1 ano trabalhando para uma mulher que a explora 24H, e não tem sequer, 1 dia de repouso. A patroa a humilha e às vezes não lhe paga.
 
Paula decide sair desse trabalho e parte para o Oiapoque. Lá ela começa a frequentar os bares de prostituição, vende seus serviços para os turistas que atravessam para o Brasil e fica nessa situação durante dois anos, até que conhece uma amiga que se prostitui em Caiena. Essa explica-lhe como ela deve atravessar para a capital guianense.
 
Paula passa por “passantes” e chega em Caiena. Começa a viver no bairro conhecido por ser o “Quartier rose”. Encontra várias prostitutas tanto brasileiras como dominicanas e colombianas.
 
Vive com uma amiga nesse bairro e encontra trabalho de acompanhante – “bar à charme”. Faz os homens beberem e se quiserem, passam a noite com Paula. Vive num ambiente perigoso, entre drogas, tráfico e muita violencia. Ela diz nunca ter se drogado, porém sentindo-se culpada por se obrigar a esse tipo de trabalho, bebe muito, quase uma alcoólatra.
Pôde sair dessa vida, depois que obteve a sua “Carte de séjour”.
(Suite page suivante).
 
 
 

Ferreira Sigobine Vaneza

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Licenciada pela universidade Rennes II.

Fez uma rápida participação na rádio Clubebrasil, Lusophones – Grupo de estudantes de Rennes II.

Participou do jornal virtual Brasil-info e é uma grande ativista da causa afro-brasileira.

Vaneza é franco-brasileira e mora atualmente na Guiana francesa.


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• Marta, 35 anos, amapaense.
 
Vem de Macapá através de uma casa nortuna de prostituição. A sua passagem foi paga por seu patrão. Fez um crédito com ele. Esse, pagou-lhe tudo ( roupa, passagem e moradia). No começo ele disse que ela poderia pagar em quatro meses, porém a divida aumentava.
 
Já que Marta não pôde trabalhar no início, para comer, ela passou a lavar as roupas de suas companheiras de “sorte” e fazia os trabalhos domésticos na “casa nortuna”.
 
Ainda assim Marta teve  que se prostituir. Ficou durante dois anos nessa “casa”, quando conseguiu sair, Marta foi para “as ruas”. Segundo ela, trabalhar na rua era melhor do que na “casa”, o único problema é que ela tinha que tomar muito cuidado, pois poderia sofrer agressões de certos clientes.
 
Ficou se prostituindo na rua até conhecer um francês que lhe convidou para ir viver com ele. Mas diz ela, antes passou por todo uma fase de miséria. Tinha que suportar todo tipo de clientes, pois essa era a única maneira que tinha para alimentar os filhos. Mesmo que ela não suportasse essa vida, ela tinha que tentar fazer porque sua família dependia dela.
Conta que viu várias amigas caindo na droga ou fazendo tráfico. Segundo ela, a depressão é algo muito comum na vida dessas mulheres. Graças ao marido, pôde encontrar estabilidade.
 
Hoje é evangélica e conta que essa fase da vida lhe ensinou a melhor encarar cada dia. Foi difícil sobreviver daquela forma, mas ela tem certeza que graças aos seus esforços seus filhos terão uma vida melhor que a que teve . Após estes relatos de vida, vemos que essas mulheres lutaram bravamente para conseguir uma melhora de vida. Essas tiveram a sorte de encontrar pessoas que lhes ajudaram, mas existem muitas que ainda vivem nesse “mundo”.  
 
Ferreira Sigobine Vaneza pour (brasil-infos.com)



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photo AFP

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